O acidente trágico de Jesse Koz e Shurastey abriu uma discussão enorme sobre segurança nas viagens rodoviárias com animais domésticos.

Um jovem determinado, seu melhor amigo cão e um Fusca 78, viajando por mais de 5 anos, passando por mais de 17 países, com mais de 1.5 milhões de seguidores acompanhando uma verdadeira série digna de óscar na vida real. Mas, infelizmente, o último episódio dessa série não nos trouxe um final feliz.

Reunimos nosso time para falar um pouco sobre questões técnicas e sobre segurança em viagens e transportes com animais, em um episódio muito especial do MooviCast. Você precisa assistir.

Se preferir, você também pode continuar e ler o conteúdo.

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

Não há um número oficial de animais que viajam pelas rodovias do Brasil, nem mesmo da quantidade de autônomos e empresas que prestam serviço de transporte interestadual de animais.

Pela falta de regulamentação e fiscalização, o que se sabe é que milhares de animais caem na estrada todos os dias entregues à própria sorte, sem que governo e tutores que contratam serviços de terceiros tenham acesso a informações sobre condutores e veículos.

Os acidentes de trânsito provocam mais de 45 mil mortes ao ano no Brasil e uma das principais causas são defeitos mecânicos. 

Evitável, a falta de manutenção associada a veículos antigos sem os equipamentos de segurança necessários para transporte de animais colocam em risco a vida de tutores e animais nas viagens.

Quem não se comoveu com a fatalidade envolvendo Jesse Kozechen e seu companheiro de viagem Shurastey na última semana de maio deste ano nos Estados Unidos?

As imagens do Fusca 78 acidentado são chocantes e a discussão sobre a segurança dividiu opiniões.

Evidente que um carro de mais de 30 anos de fabricação não tem os mesmos recursos de segurança que os veículos mais modernos.

Motoristas devem respeitar as limitações do veículo, ter atenção ao volante, não apelar para gambiarras e manter constante a manutenção, principalmente se for um veículo antigo.

Esse acidente nos faz refletir sobre os riscos que envolvem viagens longas com os animais e nós da MooviPet resolvemos analisar o acidente e passar um pouco da nossa experiência para compartilhar com tutores que costumam viajar com seu peludo no seu carro ou através de terceiros. Vamos a leitura?

Como ocorreu o acidente

Segundo relato de testemunhas, o acidente ocorreu da seguinte forma: Jesse tentou se desviar de um carro parado à frente, virou o volante para a esquerda, invadiu a pista contrária e quando tentou voltar, perdeu o controle do veículo – o Fusca tombou e foi colidiu com um SUV.  

Provavelmente toda a manobra ocorreu com as rodas travadas, pois em situações de pânico, o que normalmente ocorre é manter o pé direito afundado no pedal de freio.

Circunstâncias que contribuíram para o acidente

O carro circulou durante meses em estado precário e, por conta da quantidade de reformas, transformou-se em uma colcha de retalhos.

Jesse já havia se acidentado semanas antes na América Central, mas escapou ileso do choque contra um portão. Levava muitos objetos soltos no interior do carro – seu cão, inclusive, sem ter ideia do risco que isso representa. 

Nada garante que o destino dos viajantes seria menos trágico caso o Fusca estivesse íntegro, com manutenção em dia e com as características de projeto preservadas. 

Um fato interessante é que os ocupantes do SUV, uma senhora de 62 anos de idade e uma criança de dois, sofreram ferimentos leves. 

O que se pode afirmar é que ao volante de um carro original em perfeitas condições de uso, o motorista tem maior controle sobre o veículo.

Shurastey, o golden retriever de 6 anos, viajava solto no interior do Fusca, e morreu junto com o tutor na colisão.

O que ocorreu com Jesse e seu companheiro foi uma tragédia – uma tragédia anunciada, segundo nós podemos constatar.

Shurastey contribuiu para o acidente?

Se Shurastey contribuiu para o acidente, nunca iremos saber, pois não houve sobreviventes no Fusca, mas, pelo que pudemos verificar, o fato de Shurastey estar solto, pode ter contribuído para o acidente.

Pesquisas revelam que cães soltos distraem motoristas de várias maneiras, como:

  1. Subir no colo de seu dono enquanto dirige
  2. Cutucar com a pata  o motorista enquanto estão no carro
  3. Colocar a cabeça para fora da janela durante a condução
  4. Ficar enjoado durante a condução
  5. Sentar no console central para colocar a cabeça para fora do teto solar
  6. Pisar no câmbio
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Infográfico “Como os animais causam distração na direção” (Referência: CarRentals.com)

Shurastey gostava mesmo de viajar?

A humanização dos cachorros tem uma explicação: os animais ocupam um lugar especial nas nossas vidas e nós queremos que eles estejam presentes em todos os momentos, principalmente nos momentos de lazer, compartilhando os momento que fazemos aquilo nos faz feliz, como viajar, surfar ou passear em um shopping, não é mesmo?

Os cães passaram do quintal para dentro de casa e atualmente eles saem de casa junto com os tutores para se divertir.

Cães têm alimentação balanceada e passaram a ser muito mais que um pet – um filho para muitas pessoas. Trata-se de uma relação prazerosa e que pode ser cientificamente comprovada: o contato com um animal libera hormônios que são a sensação de prazer. Isso tudo é muito bom mas existe um limite importante que deve ser respeitado para o bem de ambos. 

O excesso no ato de humanização de cães pode prejudicar a saúde e a disposição dele. Todos nós devemos respeitar os animais e os tutores devem amá-los, mas evitando o exagero. O exagero pode fazer mal não apenas a saúde do cão, mas prejudicar o seu desenvolvimento a curto, médio e longo prazo.

No caso do Shurastey, não há dúvidas que estar ao lado de seu tutor Jesse trazia conforto e segurança e o fazia um cachorro mais feliz.

Mas as condições de conforto em viagens tão longas, por tantos dias, provocavam no cachorro a mesma sensação de liberdade que Jesse sentia e compartilhava?

Será que o confinamento por tantos dias no interior de um veículo pequeno e pouco confortável não teria justamente o efeito contrário, que seria a potencialização do estresse e pelo confinamento, falta de opções para gastar energia, mudança constante de hábitos alimentares e alterações nos horários de sono?

Essa é uma reflexão que devemos ter sempre que desejarmos incluir um Pet em uma rotina que traz satisfação para nós humanos. 

É um erro humanizar um animal a ponto de achar que ele é mais feliz sendo submetido a todas as condições que trazem felicidade para nós. 

A forma mais correta é entender seu comportamento e agir com responsabilidade. Em uma viagem, um cachorro se afasta de seu habitat, das pessoas que ama, fica confinado em um veículo, lida com pessoas e animais que não são do seu convívio e ouvem e sentem sons e cheiros diferentes.

Esse conjunto de mudanças de rotinas afetam seu comportamento e podem, inclusive, afetar a sua saúde. A forma correta de lidar com um Pet é respeitando suas verdadeiras necessidades fisiológicas, biológicas e psicológicas, proporcionando o máximo de conforto e segurança possíveis.

O veículo de Jess

As alterações realizadas em qualquer veículo empregado para transportar pessoas, cargas ou animais devem ter seu projeto avaliado e testado para não comprometer a vida de motoristas, passageiros e animais nas estradas.

No caso do Fusca de Jesse, as características originais do carro foram completamente alteradas e isso trouxe  graves consequências.

Um dos pontos que chamou a atenção foi a alteração do centro de gravidade: além do vão-livre ampliado o Fusca transportava no teto uma barraca e o peso estava acima do peso adequado para aquele modelo de veículo.

Para Eduardo Carvalho, Gestor de Operações da MooviPet, alterações em veículos que fazem transporte de animais devem ser feitas por empresas especializadas.

“Ao modificar um veículo que faz transporte de animais deve-se considerar questões como estabilidade, oxigenação, temperatura, ruídos, e, se for empregado para viagens mais longas, tecnologias como cromoterapia, musicoterapia  e uso de feromônios, que irão melhorar as condições do ambiente e fazer com que a viagem seja mais prazerosa para o animal.”, acrescenta Eduardo.

Vale a pena conhecer o PetBus, unidade de veículo padrão utilizado pela MooviPet para fazer viagens rodoviárias de longa distância.

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O ônibus repleto de tecnologias de segurança com capacidade para até 32 pets. Leia mais.

Animal e objetos soltos no interior do veículo

Por ação da cinética, a força que age sobre o movimento dos corpos, um cão de 30 quilos (peso médio de um Golden Retriever adulto) passa a pesar 28 vezes mais em caso de desaceleração brusca ou colisão a 100 km/h.

O cálculo das entidades de medicina de tráfego é proporcional à velocidade do veículo. 

Observe neste vídeo, gravado em 2013, como um cachorro sem cinto de segurança tem sua vida comprometida em acidentes com veículos com colisão frontal:

Neste outro vídeo, vemos o que poderia acontecer caso ele tivesse utilizando cinto de segurança:

Neste outro vídeo, vemos o que poderia acontecer caso ele tivesse utilizando outros equipamentos de segurança:

Fica claro que caixa de transporte resistentes, que atendem ao padrão estabelecidos pela IATA, salvam vidas:

Conclusão

É impossível não sorrir com a experiência vivida por Jesse e Shurastey, compartilhada com milhares de pessoas nas redes sociais.

É inegável que Jesse nos mostrou que não precisamos de muito para sermos felizes, tudo o que precisamos é estar  em paz com nós mesmos.

Jesse e Shurastey estão eternizados como motivadores de um estilo de vida cada vez mais comum, onde  podemos nos conectar com nosso melhor amigo para compartilhar nossos momentos felizes, independente da distância.

Por outro lado, a tragédia ocorrida deve servir de exemplo para todos nós, tutores e transportadores, profissionais ou autônomos, sobre o risco em viajar nas estradas e, principalmente, sobre a importância das condições do veículo, da preparação dos motoristas e da utilização de equipamentos de segurança de qualidade, principalmente nas viagens mais longas.

Para Eduardo Carvalho, Gestor de Operações da MooviPet, a história de Jesse e Shurastey é o maior exemplo que temos sobre a importância da preocupação que nós, tutores e transportadores, devemos ter com a segurança nas viagens interestaduais e internacionais de longa distância e precisa servir para conscientizar os jovens que, porventura, queiram seguir os mesmos passos de Jesse e Shurastey.

Se você é daqueles que não deixa seu melhor amigo pra trás e se preciso for, cai na estrada junto com ele para aproveitar todos os momentos, conta pra gente como é sua experiência e como você faz para garantir conforto e segurança nas viagens.


Se quiser falar com um de nossos especialistas de viagens, pode utilizar algum dos canais abaixo.

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